<2001-03-08>

PURA ROTINA

8-3-2001

Quase em segredo, mas lá consegui ver anunciado, no sábado, em jornal diário, que os maquinistas da CP iam realizar a sua milésima cagagésima greve desde o 25 de Abril, 3 dias a partir de segunda feira.

Nada de novo, portanto. Pura rotina: tudo moral, legal, habitual e, ao que parece, lucrativo para as empresas de camionagem que desde logo se disponibilizam para os chamados «Alternativos».

A notícia ia ao pormenor: autocarros para o Porto e para Lisboa: 80+40+5+16

Como os prejudicados utentes são os que pagam também mais este serviço, esta milésima greve deve ser, além de legal, habitual e normal, classificada de moral, de extremamente moral. Como sempre tem sido, através de soarismos, cavaquismos, guterrismos e através de várias mudanças (de moscas) da CP. A bosta é que continua a mesma .

Neste momento não preciso de comboios . Já precisei , quando tinha que ir todos os dias; às 6 da manhã para «A Capital» que, como se sabe, fica em Aushwitz 2.

Os milhares que precisam, já estão habituados e, portanto, tudo bem. Tudo normal. Tudo democrático. Pura rotina.

Lá iremos (não) votar no domingo, reconfortados por mais esta seca, a juntar às secas deste país de inundações. Porque não votar seria greve, ilegal e imoral.

Não é?

PS: Esta carta é um pequeno contributo ao ensaístas Villaverde Cabral que, na sua última crónica, se queixava das dificuldades que o analista tem em «explicar» o inexplicável fenómeno da abstenção . Se fosse um habitual utente da CP, de certeza que percebia.

Elementar, meu caro Watson. ■