<88-09-15>

 

AS CHAMADAS REVISTAS FEMININAS:

ÓRGÃOS DE MANIPULAÇÃO DAS CONSCIÊNCIAS

 

Este texto é contemporâneo de um facto relevante no ambiente mediático português: o aparecimento simultâneo de três revistas em edição portuguesa, a «Elle», a «Marie Claire» e a «Máxima» (Madame Figaro), que têm cumprido, de facto, um notabilíssimo papel de manipulação das almas... Bem se podia chamar a esta década (1988-99) a década da manipulação feminista, em que todos os mitos sexuais foram suavemente introduzidos, para benefício e lucros dos respectivos senhores empresários. Sem esta imprensa «couché» não se pode fazer a história do outro lado (escondido)da história. (2/Setembro/1999)

15/Setembro/1988 - Reduzir o mundo da mulher a perfumes, máscaras de beleza, receitas culinárias , produtos para amaciar a pele, como fazem as chamadas «revistas femininas», é um reducionismo entontecedor e que manipula inevitavelmente as consciências a um nível profundo.

O preço baixo que torna acessível os novos mensários, ditos femininos, a um grande público da classe média , tem uma função clara de manipulação ideológica: os apelos constantes a metas utópicas de beleza, consumos de luxo, produtos supérfluos, vai, na base da inveja, corroer como um cancro as ambições da leitora média, confrontada com metas ideais de beleza, de conforto , de bem estar, de triunfo pessoal, que um grafismo super-refinado , o total aproveitamento da cor, o papel «couché», um «design» sedutor tornam irresistíveis. Acelerar a corrida do consumidor médio para as metas do conforto, bem estar, abastança, relacionamento mundano, etc., é a dominante por onde se rege, hoje, a imprensa de luxo.

De facto, a luta de classes nunca esteve tão exasperada como agora , em que todas as aparências querem fazer crer na coexistência pacífica delas.