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MOSCOVO ESCONDE

CENTRAL NUCLEAR

14-2-1991

Em 1990, na União Soviética, funcionaram 15 centrais nucleares utilizando 45 reactores de diverso tipo, segundo dados da Inspecção das Centrais Nucleares da URSS. Mas numerosos especialistas soviéticos afirmam existir uma décima sexta central, «a Central Nuclerar Siberiana», «Tomsk-7», um povoado de acesso interdito ao público, a cerca de 20 quilómetros a Norte da cidade Tomsk, centro regional da Sibéria Ocidental.

O laboratório independente Craqqarad, criado em França após o acidente de Chernobyl para informar a opinião pública sobre os problemas nucleares, estudou o meio ambiente nas imediações de Tomsk, verificando que o nível de radioactividade ultrapassa consideravelmente os limites normais reconhecidos a nível internacional, afirma o jornal «Nezavissimaia Gazeta».

No actual nível de água proveniente de Tomsk-7, a radioactividade era de 300 micro-rentgen, ao passo que as normas internacionais variam entre 20 e 30 micro-rentgen. E a análise dos sedimentos no canal, à uma profundidade de apenas cinco centímetros, prova a existência anormal de produtos resultantes da desintegração radioactiva, tais como o cobalto-58, o cromo-51 e zinco-65.

O laboratório fez a suposição de que estes seriam elementos de construções metálicas que se tornaram radioactivas sob a influência de neutrões emitidos pelo reactor e uma forte corrosão das ligas metálicas usadas nos contentores de combustível nuclear.

<subt>Presença de plutónio

No solo, nas proximidades de Tomsk, foram descobertos manganésio-54, escândio-46, ferro-59 e outros elementos radioactivos. O facto mais preocupante é a presença de plutónio, o que significa em termos técnicos que a central de Tomsk-7 não está preparada para evitar fugas radioactivas para o exterior. As partículas Alfa emitidas por esta fonte não têm uma grande capacidade penetrante. É suficiente uma folha de papel para impedir a radiação. A detecção de plutónio-238, plutónio 242 e plutónio 239/240 prova que, para além de energia eléctrica, a central produz plutónio com fins militares, segundo ainda o «Nezaissimaia Gazeta».

Estes factos têm sido mantidos em sigilo por parte das autoridades de Moscovo. Porém, até os segredos melhor guardados têm vindo ultimamente à superfície. A Imprensa local publicou vários artigos sobre assuntos referentes ao misterioso centro de Tomsk-7, nomeadamente lebres e alces contaminados que habitam as florestas siberianas. Mas calcula-se também que mais de 30 pessoas, incluindo várias crianças, foram hospitalizadas devido à contaminação radioactiva.

A idade dos reactores de Tomsk-7, varia entre 30 e 40 anos e considera-se que a corrosão que afecta as estruturas metálicas poderá provocar uma tragédia de consequências irreparáveis. Embora as autoridades soviéticas tenham realçado suficientemente que, em 1991, o orçamento estatal da URSS orientou 10,3 milhões de rublos para a restauração da zona sinistrada de Chernobyl, a questão que se levanta é a de se saber como se poderá medir o prejuízo ecológico e o medo causado na população soviética desde 1985, após a catástrofe.™™™