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NOITADAS

 

4/8/1991 - Uma noitada de Reis no Palácio de Queluz

Um espectáculo de luz e sombras no Museu Condes de Castro Guimarães

Uma fantasia coreográfica nos jardins do Gandarinha:

eis aí o vómito embalado em celofane, a célebre «animação cultural» para turistas, a informação abjecta, a inusitada afronta ao país da pobreza, da escuridão, dos apertos, dos sufocos, das fomes, das pústulas, das vergonhas, dos bidonvilles, dos congestionamentos, das poluições químicas, das carências, dos amens, dos

A ostentação é a maior violência audiovisual que se comete contra um país inteiro, contra uma maioria de população que elegeu este governo maioritário?

A palavra «cultura» tornou-se obscena.

A palavra «bailado» tornou-se um palavrão inconcebível.

Deviam ser proibidos os espectáculos de ostentação

as luzes do Chiado no Natal

as agendas culturais ainda por cima com maioria de esquerda.

Afrontoso, nos limites patológicos da ignomínia, sem palavras para o descrever, como um emplastro em brasa no coração, é este bailado de gorilas, na Câmara Municipal de Lisboa e nas Câmaras das cercanias, a fazer cultura, espectáculos de luz e cor, reconstituições da época.