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[# ECOS DA CAPOEIRA]

DE COMO A IMPRENSA PORTUGUESA SE VAI VENDO E HAVENDO COM AS NOVIDADES E NOTÍCIAS DO FUTURO

21-4-1991

Falando em fotografias, a «Nova Imprensa» encontrou nas feiras de produtos naturais e dietéticos, ângulos e cores que lhe permitiram «dossiers» brilhantes, de verdadeira vanguarda. Anote-se a lógica do mercado que aconselha, agora, a gozar dos (produtos) dietéticos da moda, aproveitando a salivação hedonista que a moda sempre suscita.

Comer, aliás, foi outra das grandes descobertas desta jovem e ainda inexperiente imprensa. Até há poucos anos, como se sabe, ninguém sabia que o homem tinha que comer. O Alexandre Pinheiro Torres, num dos seus ensaios neorealistas, era muito capaz de desmentir a importância da Nutrição na política, pois o Dr. Emílio Peres ainda não dirigia para a editorial Caminho a colecção « Biblioteca da Saúde» e ainda não prestigiara, à esquerda, a ciência nutricional, nem que seja a das microdoses vitamínicas. Mas há anos que um Centro de Estudos de Nutrição vinha, no campo oficial, medrosamente impondo uma onda reaccionária de interesse e curiosidade intelectual pela comida e suas regras, enfim, pelo comportamento ou «behavior» alimentar.

Entretanto, a publicidade de cosmética [aqui começa um texto de 6 páginas A4 dactilografadas, anexadas a uma série de recortes onde a imprensa se mostra devota de temas como os produtos naturais, a agricultura verde, a tendência natural, vegetarianos, medicina natural, acupunctura, etc.]