1-2 - <75-01-21-di> quinta-feira, 16 de Janeiro de 2003

[ PROFISSÃO DE FÉ

NO M.F.A.]

21-1-1975

Em nove meses de Revolução e a dois meses das eleições, a esperança do povo português continua a ser o Movimento das Forças Armadas e os homens que o tornaram possível.

Mais do que nos partidos e suas quezílias, mais do que nos técnicos e sua míope visão dos acontecimentos e das necessidades do País, mais do que nos burocratas e nos empatocratas que nos vários departamentos só têm emperrado o andamento ritmado da Revolução, é nos homens do M.F.A. que vamos encontrar, aqui e ali, em palavras e actos, em factos e declarações, em iniciativas e decretos, o verdadeiro espírito de revolução e o fermento para novos horizontes abertos ao povo português.

A conclusão do observador imparcial é óbvia e clara: só quando o M.F.A. confiou demais nos burocratas e tecnocratas, nos empatocratas e burrocratas, as coisas enferrujaram.

Sempre que a imaginação criadora teve a palavra decisiva e a ordem de arranque, o Movimento andou e o povo ganhou com isso mais alguns passos decisivos na sua emancipação e na auto-conquista do seu futuro.

É na imaginação criadora que o M. F.A. deverá continuar apostando, se quiser continuar a merecer a confiança popular e é na imaginação do M.F.A. que o povo deve confiar se verdadeiramente deseja que ouçam a sua voz, que sintonizem os seus anseios, que correspondam às suas necessidades.

Sem falar dos múltiplos organismos e departamentos por sanear, é no imobilismo de posições partidárias, é na retórica balofa de alguns liberais, democratas e centristas, é na mitologia da tecnicidade e da especialização que vamos encontrar os mais duros obstáculos à democratização e à emancipação do País

Como escrevia um editorial do Boletim das Forças Armadas ( Nº 8, 14 de Janeiro de 1975) , não basta ser democrata - num momento em que, por oportunismo, todos o dizem ser - é preciso ser revolucionário.

Mais uma vez o M.F.A. foi lapidar. Mais uma vez a sua palavra de ordem é dinâmica e galvanizante. Mais uma vez são homens, são portugueses a falar a linguagem de todos nós e não tecnocratas, partidários, mangas de alpaca, ressentidos ou oportunistas.

Para enfrentar a falada crise económica, os partidos apenas preconizam a mobilização de técnicos e especialistas, os mesmos que, com o fascismo e dando sempre ao fascismo a melhor ajuda e colaboração, nos levaram à crise e ao descalabro.

Para enfrentar o desemprego, os partidos apenas sabem repetir os lugares comuns que os anúncios da televisão também repetem de mais indústrias, de mais postos de trabalha, - isto num momento da conjuntura internacional em que - com a inflação, a recessão e a crise energética - todos os dados da questão estão baralhados, virados do avesso, alterados de cima a baixo.

Quando, em todos os países industrializados, o modelo de crescimento exponencial está a ser posto em causa e fortemente contestado, os partidos e os tecnocratas que se dizem sem partido, pretendem repor aqui, em Portugal, sem alterações, os mesmos modelos "falidos", que levaram a Itália à Bancarrota, a Espanha à asfixia inflacionária, a Inglaterra à desocupação maciça, os Estados Unidos e a França a vagas de imparável recessão, o Japão ao apocalipse pós-industrial e pos-mortem...

Para pôr na panela todos os dados da questão e da crise, os partidos continuam a mostrar-se incompetentes e desactualizados

Só no M.F.A. , no dinamismo dos seus oficiais mais progressistas, o povo português põe a esperança de ser ouvido, compreendido e atendido nos seus anseios.

Se é uma nova mentalidade (revolucionária), anti-sintomatológica, comparticipante, ecológica, contestatária, imaginativa e criadora o que neste momento se impõe, é pelo partido da imaginação criadora e das alternativas que os homens de trabalho, de luta e de pensamento deste país devem lutar, em íntima aliança com a capacidade criadora do M.F.A. e com a tradicional capacidade inventiva do povo português.

Não estou a fantasiar, quando falo de revolução cultural e de imaginação criadora.

Na entrevista ao semanário "Sempre Fixe" (21/ Dezembro/1974), o primeiro-tenente da Armada, Ramiro Correia, foi suficientemente claro e explícito quanto ao papel da imaginação criadora na Revolução Popular e Cultural Portuguesa.

Na impossibilidade prática de transcrever todas as suas declarações, é indispensável que delas fique o essencial a confirmar a tese deste ensaio, deste caderno: o M.F.A. é a imaginação no Poder e a Poder da Imaginação. E o partido da imaginação e das alternativas.

Eis as transcrições:

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