<2001-02-05>

O ASSUNTO «GRAFFITI»

 

Exmo. Sr. Director do jornal «O Público»(*)

5/2/2001 - Pelo que leio, no «Público» (5/2/2001), na carta de Marta Amaral (que presumo socióloga ou psicóloga ou as duas coisas) o assunto «graffiti» já chegou ao mais alto nível da filosofia nacional .

Paulo Portas, dignatário e ideólogo da demagogia populista e Miguel Portas (deduzo) ideólogo e dignatário do Bloco de Esquerda vieram, finalmente, - diz Marta Amaral – um bocado tarde , porque entretanto as borradas invadiram tudo o que é portas, parede ou objecto público que tenha superfície exposta (e são todos).

E agora só há que gramar esta oceânica manifestação de arte.

Marta Amaral fez um estudo aprofundado do fenómeno e que vem ensinar às massas e às elites. :

1 – Que graffiti é arte;

2 – Que há a distinguir «graffiti» e «tag» (presumo que nem ela distinguirá, mas enfim)

3 – E que, (finalmente ) os graffiti são uma manifestação de criatividade e imaginação popular , jovem e suburbana.

Cá está sempre o grosso da população que não é jovem nem suburbana para gramar estes delírios imaginativos. Quanto à pobreza dos grupos (coitados!) que fazem estas obras de arte, a Drª Marta Amaral deve ter feito as contas aos milhares de contos gastos em tinta para pintar tantos milhares de obra-primas. De certeza que é gente de bairro pobre como os Portas devem defender .

Agora que o problema deixa de ser problema, as borradas inundando irreversivelmente todas as paredes de todas as ruas de todas as cidades, é que os intelectuais da merda se lembram de vir levantar a voz. Melhor que estivessem calados, mai-lo poder político e mediático que nunca teve poder para o impedir, para pôr cobro a vandalismos inocentes e sem importância como estes.

Eu por mim, dei resposta no domingo das últimas eleições. Guardei o voto no lixo.

AC

-----

(*)Esqueci-me de enviar esta carta. Felizmente.