1557 caracteres <escritor > <vozes> <ficcoes> inventar – diário ac de 1991
CONFESSEM O QUE TOMAM,
SENHORES ESCRITORES
FAÇAM JOGO LIMPO
23/3/1991 - Nunca mais voltou a haver um escritor com a coragem de Mário Henrique Leiria, que classificou, em título de livro, os seus contos do «Gin Tónico», assinalando com honestidade a sua fonte de inspiração, o seu motor de arranque.
Eu acho que todos devíamos ser obrigados a declarar nas Finanças, em prefácio, em registo notarial, na Alfândega portuária, no estreito canal do aeroporto, de onde nos vem a guita; por mim, não hesito: vem da Cafeína e da Teína, que escrevo com Maiúsculas, pois a elas devo a vida, devo o poder acordar todos os dias sem a vontade de me matar a falar mais alto.
Porque não confessam o seu fraco, o seu calcanhar de Aquiles, aqueles que têm na Cocaína, na Aguardente, no Vinho tinto, no Ópio, na Estricnina, no LSD, ------------------------>>>>>,
a fonte estimulante das suas estrofes, dos seus silogismos, das suas descrições paisagísticas, das suas crónicas, das suas críticas, das suas graças, das suas metáforas, dos seus brilhantes neologismos, do seu élan criador, da sua imaginação, da sua capacidade inventiva, do seu poder efabulatório--------->>>>>>>?
A literatura devia mesmo dividir-se, Prof. Eduardo Prado Coelho, não em géneros, maiores, médios e menores, como o senhor a classifica, mas em tipos de alucinogénicos utilizados: -------------->>>>>>.
Há críticos, por exemplo, que distinguem perfeitamente um texto escrito sob o influxo do Ballantyne, de um outro texto que foi ejaculado, de alta tensão, sob a acção correctora de um John Walker, que chega, como se sabe, quando a noite parte e parte quando a noite chega. ™