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< 91-01-29-na> notícias do apocalipse - domingo, 30 de Março de 2003-novo word - <crude>29-1-1991
três milhões de barris
Se os três milhões de barris derramados no Golfo Pérsico arderem, a concentração de dióxido de enxofre na região produzirá efeitos semelhantes ao da erupção de um vulcão, provocando acessos de asma entre a população, a oxidação dos solos, a poluição das águas e a corrosão dos metais. Uma enorme quantidade de óxido de carbono tóxico concentrar-se-á na atmosfera, ameaçando as populações com doenças nervosas e anoxemia, bem como 320 mil toneladas de gás carbónico, que farão aumentar «o efeito estufa» e a temperatura na terra.
Estas são as estimativas resultantes de um estudo efectuado por um Instituto Japonês do Ambiente, caso o petróleo derramado no Golfo Pérsico, que segundo os responsáveis militares atinge agora uma extensão de 90 quilómetros de comprimento e 15 de largura, seja incendiado. Esta possibilidade depende agora das proporções que o conflito poderá vir a atingir nos próximos dias e na concretização ou não dos sinais dados por Saddam Hussein em efectuar uma guerra sem tréguas e, acima de tudo, sem regras.
No entanto, as ameaças que o derrame provocou nos países da região podem já ser considerados como um autêntico desastre ecológico pelas consequências que estão já a ter lugar nos países da costa do Golfo Pérsico.
A ajuda internacional para combater os efeitos da maré negra procura evitar que o petróleo derramado venha a afectar as centrais de dessalinização da Arábia Saudita, de onde depende essencialmente os recursos de água do país.
«O aprovisionamento de água é bastante vulnerável uma vez que basta uma muito pequena quantidade de petróleo para alterar o gosto e o odor da água, tornando-a imprópria para consumo», afirma um comunicado da Organização Mundial de Saúde (OMS), publicado ontem.
Segundo o director desta Organização das Nações Unidas, o japonês Hirouchi Nakajima, a OMS teme pela possibilidade de os produtos tóxicos transportados pelo crude derramado se concentrarem nos organismos marinhos, impedindo a utilização dos recursos piscatórios do mar do Golfo.
ECOLOGIA COMO ARMA DE DISSUASÃO
Segundo fontes militares, neste momento estão bastante reduzidas as possibilidades do Iraque continuar a alimentar o petróleo derramado no Golfo, devido aos bombardeamentos efectuados no domingo contra as instalações de bombagem do petróleo no Koweit.
Estas conclusões baseiam-se na intensidade das chamas resultantes do incêndio provocado nas referidas instalações. Segundo informações divulgadas pelo general norte-americano Pat Stevens, as chamas são cada vez mais pequenas, o que poderá significar que o fluxo de petróleo terminou.
As conclusões do general norte-americano não são, no entanto, totalmente coincidentes com as do capitão de mar-e-guerra do Pentágono, David Herrington, que admite a possibilidade de pequenas quantidades de crude poderem estar a ser ainda derramados no mar do Golfo.
A ONU e países como a França, os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e o Japão anunciaram a mobilização de importantes meios técnicos para combater os efeitos da maré negra, tendo já o Fundo Mundial para a Natureza, com sede na Suíça, apelado para o fim do ecocídio na região.™