<01-11-26-dl> diário de um leitor

OS CLOWNS DA CLONAGEM:

ANTES DE ABRIR A BOLSA

26/11/2001 - Segunda-feira, dia 26 de Novembro, o alinhamento noticioso da Antena 2 revela que estamos a regressar à «normalidade», no que à desordem mundial diz respeito.

Enquanto, metodica e eticamente, prosseguem as chacinas no Afganistão, os danos (co)laterias, o respeito pela vida humana e pelos seres humanos, há outra vez espaço nos jornais e tempo de antena nas rádios, para o pacifismo da tecnologia em geral e da biotecnologia em particular.

Claro, envolto em alguma polémica: estamos no mundo democrático da paz ocidental e uma polémicazinha, de vez em quando, anima as entradas dos jornais e telejornais.

A alguns segundos de abrir a Bolsa de Nova Iorque, então, o timing é perfeito.

Quem diz biotecnologia, diz bolsa, diz guerra de patentes, motores da economia (algo deprimida, diz-se) em nome da saúde humana, ideal que sempre motiva multidões.

Francisco Sena Santos não se esqueceu de o frisar na sua crónica da Antena 2; uma coisa é reproduzir vida em laboratório, a outra é tratar das doenças e dos doentes, ideal sempre lícito e bioético.

A reprodutibilidade do processo deverá ser mais na Bolsa do que na célula viva.

Clonar pessoas ainda pode chocar alguns espíritos retrógrados.

Não há promiscuidade entre biocídio e biocracia neste processo, há apenas o progresso da ciência.

Finalmente e depois da guerra (que chatice!) a paz das consciências e dos mídia, reconfortados com os progressos da biotecnologia. A ementa melhora e as digestões são mais fáceis.

Jeremy Rifkin conta exaustivamente essa crónica no livro «O Século Biotech» (Publicações Europa América, 2001) .

Convém, desde já, começar a preparar as mentes para, sem esforço, aceitarem tudo o que está para chegar.