1-2 < 86-08-15-na> sexta-feira, 24 de Janeiro de 2003 – novo word

EXPLORAÇÃO MINEIRA

EM GRÃO CARAJÁ

Setembro/1986

A Comunidade Económica Europeia apoia o Brasil com 120 milhões de dólares na construção de um projecto de exploração mineira em Grão Carajá.

Este gigantesco projecto, que custará 6700 milhões de dólares, é, com efeito, classificado de monstruoso por um alto funcionário da mesma CEE, elemento da Comissão do Ambiente do Parlamento Europeu que estava reunida em Lisboa na segunda semana de Setembro de 1986.

«O projecto do Grão Carajá é monstruoso» , afirmou esse elemento, afirmação em que parece ter sido secundado pelos restantes membros da referida Comissão, inclusive Carlos Pimenta, na altura Secretário de Estado do Ambiente.

Mas disse mais: «Demos o empréstimo e agora estamos dentro do buraco». Foi assim, em linguagem coloquial de boa água, que o ilustre membro da Comissão do Ambiente do Parlamento Europeu adjectivou este projecto que vai «arrasar» centenas de milhares de hectares e inclui, entre outras obras grandiosas, a exploração de duas minas, uma de carvão e outra de minério de ferro, além da construção de uma barragem hidro-eléctrica para alimentar em exclusivo de electricidade a extracção deste minério...

Ainda o projecto ia em meio e já os problemas com o Ambiente tinham começado. «A região não foi desflorestada convenientemente e as águas ácidas, provenientes do apodrecimento das madeiras, está a atacar as turbinas da barragem.»

Moral desta história de turbinas: 1) A CEE estimula a construção de projectos megalómanos, gigantescos e monstruosos;

2) A CEE classifica esses projectos de monstruosos, diz que, ao financiá-los, está metida num buraco, mas continua a financiá-los.

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O poderio económico legitima, evidentemente, tudo o que ele fizer e promover, a pretexto da dias mundiais ou de outra coisa qualquer.

Mas usar e abusar do próprio poder económico para vender «opinião» à opinião pública, tem repercussões éticas de tal maneira profundas, que é para essas e outras que há um tribunal dos direitos humanos em Haia.

A famigerada entrada de Portugal na Europa, não dá só o direito aos fortes de esmagar os fracos.

Os fracos também têm de encontrar meios de, pela Europa dos cidadãos, fazer chegar lá, à Europa, eco das prepotências de que continuam, em Portugal, a ser vítimas.

Sem um pio de protesto, sem um ai de remorso.