<barrete-1> polémicas ac com o meio ambiente – inéditos ac de 1980
BABILÓNIA 1980
"As árvores estavam secas" - é a desculpa que as autarquias põem a circular, difusamente, para adormecer a opinião pública, mas até hoje nenhuma declaração oficial, responsável, formal, pondo o preto no branco, foi dada por qualquer serviço, quando nós gostaríamos de ver os nomes concretos e respectivo número do contribuinte que para a posteridade devem ficar ligados à operação arboricida de maior envergadura até hoje realizada.
"As árvores começaram a secar depois de uma fumigação química a que foram submetidas" - este é outro dos boatos postos a circular, difusamente, sem que um comunicado claro tenha sido emitido até hoje às populações.
"Foram atacadas de bicho e aplicou-se um produto químico que as secou..." - é outro boato que circula à boca pequena.
Se porventura alguma destas "bocas" tem o mínimo de fundamento, a opinião pública exige que se saiba: Quem pulverizou? Porque se pulverizou? Se era para matar bicho e se matou árvores, que se passa?
V
Em casos concretos observados por testemunhas oculares, algumas dessas árvores dadas como secas e que portanto foram abatidas, já mostravam rebentos verdes, demonstrando que, afinal, não estavam tão secas como isso nem tão definitivamente.
Curioso e espantoso é que, num país onde tudo se adia e onde nada que seja produtivo anda, a serra mecânica voou célere para os locais adrede preparados, a cortar rapidamente as árvores ditas "secas" ...antes que elas reverdecessem. A cortar, veloz, antes que ficasse a nu a verdade: a árvore não secou, mas teria sido seca artificial e provisoriamente para justificar o abate. A pressa, num país onde só a destruição anda de pressa, não leva a concluir outra coisa.
VI
Em Lisboa, não há praticamente um jardim imune a esta campanha de preservação da Natureza e melhoria do Meio Ambiente , certamente integrada na Campanha de Preservação da Natureza recentemente lançada a nível mundial pela actual Secretária de Estado do Ambiente, drª Margarida Borges de Carvalho. Se ela me soubesse explicar o mistério das árvores abatidas por este País fora, eu diria que é uma secretária formidável.
Estrela, Campo de Ourique, Praça da Ilha do Faial, Príncipe Real, foram só alguns dos casos de que recebi telefonemas, cartas e avisos, ou que pessoalmente pude constatar. Mas ninguém melhor do que a Câmara Municipal de Lisboa para dizer quantas árvores, quando, como e porque foram abatidas.
Nem a Imprensa, nem os urbanistas altamente preocupados com a clorofila, piaram até hoje sobre o que se tornou já rotineiro, apesar do espectáculo cruel de ver, dias a fio, raízes monumentais expostas à estupefacção pública.
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